top of page

Poeta amazonense denuncia falta de diversidade no júri do Slam BR

  • Foto do escritor: Manauarou
    Manauarou
  • há 22 horas
  • 2 min de leitura

A poeta, slammer e escritora Aritana Tibira usou as redes sociais no último sábado (28/2) para criticar a composição do júri do Slam BR. Campeã amazonense de poesia falada, mulher trans e referência na cena cultural do Norte, a artista classificou como injusta e pouco diversa a formação do painel responsável pela avaliação das performances.



Segundo Aritana, não é aceitável que um espaço que se propõe democrático e plural seja avaliado exclusivamente por pessoas brancas e cisgênero. Para ela, diversidade não é um detalhe simbólico, mas uma questão estrutural que impacta diretamente na legitimidade dos resultados e na forma como as performances são lidas, interpretadas e pontuadas. “Estou acostumada a entregar o meu melhor nas batalhas e a reconhecer quando faço uma das performances mais fortes da noite”, afirmou a poeta, ressaltando que, ainda assim, se depara com situações que considera injustas.

Representatividade importa

Escritora de horror drag, Aritana é doutoranda em Divulgação Cultural e mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas. Sua trajetória acadêmica e artística reforça a potência de sua voz em um cenário marcado por desigualdades estruturais — especialmente quando se trata de gênero, raça e território.

A artista também destacou o peso de ser uma mulher trans do Norte do Brasil em um circuito nacional. Para ela, a identidade territorial carrega desafios específicos: “Ser do Norte é, muitas vezes, precisar defender a própria existência regional”, pontuou.

Aritana ainda chamou atenção para a xenofobia estrutural enfrentada por artistas do Norte e do Nordeste, que, segundo ela, opera de forma silenciosa quando não é nomeada. A ausência de diferentes vivências no júri, afirma, reforça assimetrias históricas e limita a pluralidade de perspectivas em um movimento que nasceu das margens.

O que está em jogo no Slam

Criado em 2014, o Slam BR é a maior competição nacional de poesia falada no país, reunindo anualmente campeões de comunidades de diferentes estados. O movimento slam tem como base a democratização da palavra, com forte presença de temas sociais como racismo, gênero, desigualdade e vivências periféricas. Nesse contexto, a discussão levantada por Aritana amplia o debate sobre quem avalia e quem legitima as narrativas que sobem ao palco. Se o slam é um espaço historicamente construído por vozes dissidentes, periféricas e racializadas, a composição de seus júris também precisa refletir essa pluralidade.

A denúncia reacende uma pauta central para a cultura brasileira: não basta abrir espaço para que artistas diversos se apresentem, é fundamental garantir que os mecanismos de validação também sejam diversos. Afinal, quando diferentes corpos, territórios e identidades não estão representados nos processos de decisão, a desigualdade deixa de ser apenas estrutural e passa a ser reproduzida, inclusive, na arte.

 
 
 

Comentários


bottom of page